As camisetas do Esporte Clube 14 de Julho, de Santana do Livramento

Com ilustrações de Evaldo Junior (www.erojkit.com).

Por influência dos uruguaios, que jogavam bola havia mais tempo do que nós, brasileiros, o 14 de Julho, que ficaria conhecido como o “Leão da Fronteira”, foi fundado em 14 de julho de 1902, o que faz dele uma das primeiras agremiações criadas no país para a prática do futebol. O clube é um dos fundadores da Federação Rio-Grandense de Desportos, que depois se tornaria a FGF. Por muitos anos foi erroneamente creditada sua participação no primeiro campeonato gaúcho de futebol, em 1919, quando esteve na capital jogando amistosos num período próximo ao da disputa entre Brasil e Grêmio. Mesmo que por conveniência da fronteira, pode ser considerado um pioneiro nas disputas internacionais.

Ao todo, o 14 de Julho venceu o campeonato santanense por 40 vezes, mas, infelizmente, nunca teve grande destaque esportivo, com relação a resultados, no nível estadual. Talvez sua campanha mais destacada tenha se dado em 1958, quando foi eliminado nas semifinais do Gauchão num jogo-extra contra o Guarany de Bagé, depois de ter vencido o Pelotas na primeira fase. Desde que o campeonato deixou de ser disputado por regiões, em 1961, o clube nunca esteve na primeira divisão.

Durante toda a década de 1960 e nos primeiros anos de 1970, o 14 de Julho usou as mesmas camisas com gola do tipo polo e sem distintivo. O modelo mais tradicional é listrado na horizontal, embora, pelo menos em 1965, o clube tenha eventualmente usado listras verticais. Chama a atenção o uso de camisetas sem distintivo, algo comum do outro lado da fronteira e que era uma novidade para o clube naquela virada de década (em meados dos anos 1950, as camisetas do 14 tinham distintivo).

Outro detalhe é a enorme dificuldade em se encontrar registro do Leão jogando com camisetas alternativas ao longo de toda a sua história. Não encontrei nenhuma foto do clube jogando com camisetas reservas durante todo o período dos anos 1960 e 1970. O senhor Vicente Cabeça Guedes me encaminhou a foto abaixo, que mostra as bonitas camisetas alternativas em 1955, vermelhas com listras horizontais pretas. Pode ser uma dica de como elas eram, pelo menos no começo da década de 1960.

1955

Depois de um afastamento, o clube retorna às atividades em 1977 com camisas ainda sem distintivo, mas no ano seguinte passa a usar um leão do lado esquerdo do peito. Como não tenho nenhuma foto detalhada desses dois distintivos de leões, considerem eles não como uma reprodução exata. Entre 1977 e 1981, as principais alterações ocorrem nas golas das camisetas, que são sempre listradas na horizontal.

Entre 1982 e 1983, a camiseta titular do 14 é a mesma, com algumas pequenas modificações. No início do primeiro ano, ela não tem distintivo. Logo em seguida, é aplicado um distintivo bem diferente, que não pode ser visto em detalhe e por isso foi feita uma reprodução aproximada. A aplicação parece ser de baixa qualidade e aparece já apagada em algumas fotos do mesmo ano. Para 1983, foi bordado um distintivo diferente no mesmo local e aplicado o patrocínio dos Biscoitos Karina o primeiro da história do clube, ao menos na frente da camisa.

Depois de décadas, em 1984, o 14 de Julho volta a usar camisetas listrada na vertical. O distintivo é modificado mais uma vez. Aparentemente, sempre de maneira mais amadora, apenas visando a facilitação da confecção. Os Biscoitos Karina seguem como patrocinador principal. No ano seguinte, o clube usa camisetas vermelhas sem patrocínio.

As camisetas de 1986 são verdadeiros clássicos. O clube volta a usar as tradicionais listras horizontais e ganha o patrocínio da Ouro e Prata. Foi a primeira vez desde a década de 1950 que o distintivo oficial foi usado nas camisetas.

Em 1988, as camisetas voltam a ter listras verticais e são fabricadas pela Arcal, em Santa Cruz do Sul. No ano seguinte, retorna o padrão de listras mais tradicional e o clube ganha o patrocínio do Galeto Itália, numa camiseta que seria usada por duas temporadas, fabricada pela Multisport. Neste período, os distintivos das camisetas voltam a variar ano a ano, sem representar fielmente o oficial. Em 1991, o 14 volta a usar uma camiseta bem simples, sem distintivo.

Entre 1992 e 1996, as camisetas do leão são feitas pela Lesport, em Garibaldi. Em 1992 e 1993, as listras são grossas e em menor quantidade. Já entre 1994 e 1996, o listrado é mais estreito, como era na década de 1960. Nesses anos, o 14 usou uma camiseta reserva repartida na diagonal. O distintivo voltou a ser o oficial.

Apesar de poucos registros fotográficos disponíveis, em 1997 e 1998 o clube usou camisetas da paulista CCS. São modelos tipicamente padrões, com aplicação posterior do distintivo do clube.

O clube retorna em 2005 com camisetas fabricadas pela Less. A camiseta titular tem listras verticais. Pela primeira e única vez em sua história, o 14 tem diversos patrocinadores diferentes em destaque na frente da camisa, além do patrocínio oficial da FGF, os hipermercados Big, nas mangas. O distintivo das camisetas é bordado e ficou bem diferente do oficial.

2005 resumo

Em 2006, o clube usa uma bonita camiseta fabricada pela Pieri Sport, de Florianópolis, com listras verticais. A Pieri Sport, alguns anos antes, durante a inatividade do clube, já havia produzido as camisetas comemorativas do centenário. É o primeiro ano em que os supermercados Righi aparecem em destaque na frente da camiseta, o que seria uma constante nos anos subsequentes. No ano seguinte, voltam as tradicionais listras horizontais. Em 2008, o fornecedor do clube passa a ser a Squema Sports e a camiseta fica coberta de patrocínios.

Camiseta comemorativa do centenário foi fabricada pela Pieri Sport (2002).

Nas temporadas de 2009 e 2010, são usadas camisetas basicamente idênticas às de 2007. Pelo corte, eu desconfio que essas camisetas também tenham sido feitas pela Pieri Sport. Para 2009, muda apenas a maneira como o Righi é inserido na camiseta e o distintivo ganha uma estrela amarela. No ano seguinte, são adicionados outros patrocínios na parte da frente da camiseta. Nas costas, o patrocínio principal também muda de Multisom para Unimed.

As camisetas de 2011 são modelos bem toscos, típicos da Mega Sport na temporada. No início do ano seguinte, elas ainda ganhariam alguns patrocinadores extras até que os novos modelos ficassem prontos.

Em 2012, talvez o 14 de Julho tenha apresentado a maior revolução de sua história em termos de desenho do material esportivo. O uniforme titular tem listras horizontais, porém bem mais finas do que as tradicionais. A camiseta alternativa é amarela. O distintivo passa por uma repaginada. Na minha opinião, o resultado em geral foi muito bom.

Com o aprofundamento da crise, o clube não teve novas camisetas em 2013, sendo usados os modelos de 2010 e 2012. Depois de um breve afastamento, o clube retorna para uma derradeira (pelo menos até o momento) temporada em 2015, com camisetas um tanto quanto retrôs, mas com um novo distintivo.

2015 listrada

Ao longo de sua história, o clube passou por diversos licenciamentos. Entre 1961 e 1963, por exemplo, o 14 ficou de fora das competições oficiais. Depois, entre 1972 e 1976, o leão disputou apenas a Cícero Soares, em 1974. De 1977 a 1998, o clube mais de duas décadas de atividade ininterrupta, quando entrou em seu licenciamento mais longo (que possivelmente será superado em alguns anos) até o retorno em 2005. O clube ficaria inativo novamente ao final de 2013, embora tenha tido um efêmero e mal sucedido retorno em 2015.

Atualmente, o 14 vive a pior crise de sua história. A falta de dinheiro que acomete a quase totalidade dos clubes gaúchos se soma a disputas políticas, que podem ser causa ou consequência da crise maior. Recentemente o estádio do clube deveria ir a leilão, mas possivelmente o processo emperrou com a pandemia, dando uma sobrevida ao Estádio João Martins.

*Agradeço aos amigos Michael McNish, pelo envio do logo da Pieri Sport, e Vicente Cabeça Guedes, pelo auxílio de sempre com os clubes santanenses.

 

8 comentários sobre “As camisetas do Esporte Clube 14 de Julho, de Santana do Livramento

  1. Marcio Silveira Borba disse:

    Esse especial como sempre ficou excelente. Jás estava sentindo falta de camisas de clubes. Tomara que o 14 e o Grêmio Santanense se recuperem e voltem ao futebol profissional.

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    1. lreissouza disse:

      Oi, Márcio! Aproveitei um tempinho mais ou menos livre e adiantei uma série de clubes para os próximos dias. Os próximos vão ser sobre clubes com menos história do que o 14. Vou postar sobre algumas das fusões da década de 1970.

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    2. Jorge rocha. disse:

      Sou quatorzeano do tempo do meia eswuerda Basóte era uruguaio e jogava muita bola,cobrava uma falta nas proximidades da area que dava inveja,seu chute era um canhão.

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