O Supercampeonato da Tristeza em 1959

Em dezembro de 1959, a maior rivalidade da zona sul de Porto Alegre, Botafogo e Tristezense, viveu, talvez, o seu último grande momento. O Botafogo, que completa cem anos nos próximos meses, vinha de um vice-campeonato na temporada anterior. Já o Tristezense, que está a pouco mais de um ano de seu centenário, voltava ao campeonato do Diretório da Tristeza, depois de um período na Segunda Categoria.

Na última rodada do campeonato, chegavam os dois clubes com chance de título. Os rubroverdes jogavam pelo empate, pois estavam dois pontos à frente do Tristezense. Aos colorados do 6º Distrito, a vantagem era jogar a decisão em seu próprio campo. Mas foi o próprio Botafogo que abriu o placar, logo no começo do jogo, ampliando sua vantagem. A partir daí, foi só confusão e a arbitragem se viu obrigada a interromper a partida por falta de garantias aos 33 minutos do primeiro tempo.

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O Tristezense em 1959, em foto no seu próprio campo

O Departamento Amador mandou, então, que se jogasse o restante da partida do outro da cidade, na tarde do dia 6 de dezembro. O local escolhido foi o campo do Taurus Atlético Club. Mais neutro só se fosse em outro município. Provavelmente, a Federação esperava que, marcando o jogo para a zona norte, inibiria a presença dos torcedores dos dois clubes. Não foi o que aconteceu.

Reiniciada a partida, o Botafogo não era sombra daquele time da primeira meia hora de jogo. Se acomodou com o regulamento embaixo do braço e esperou o Tristezense. Como sempre acontece, sofreu a virada, não sem polêmica. Ao final da partida, a torcida botafoguense cercou o vestiário da arbitragem para mostrar desagrado com sua atuação.  Felizmente, segundo a Folha da Tarde Esportiva, os protestos “limitaram-se a ofensas sem maiores consequências”.

1959 Tristeza Torcida jogo Taurus

Torcida do Botafogo esperando o árbitro no campo do Taurus

Para desempatar o campeonato, ficou decidida a realização de uma “superfinal” em melhor de três. A primeira partida foi realizada no dia 20 de dezembro, no Estádio da Timbaúva, e teve transcurso supreendentemente normal. O Botafogo venceu com certa facilidade, por 2 a 0. No segundo jogo, mais uma vez, o Botafogo teria a vantagem do empate. O Tristezense precisava vencer para forçar um jogo extra.

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Outra foto do Tristezense em 1959

A partida decisiva aconteceu em 27 de dezembro, na tradicional Chácara das Camélias, e contou com grande público, apesar do feriadão do Natal. Embora muito disputado, o jogo que se previa tenso não teve maiores complicações. Armando Corrêa de Brito, que já havia sido elogiado pelas diretorias das duas equipes na partida anterior, mais uma vez, conduziu muito bem as ações. E a disputa, que se prolongou até quase 1960, foi decidida logo aos 30 segundos, com gol do centroavante botafoguense Jair. Apesar do esforço, o Tristezense não conseguiu alterar o placar nos 90 minutos seguintes.

1959 Tristeza Botafogo

O campeão Botafogo (em foto no campo do Tristezense)

O Botafogo campeão formou com Spanemberg; Bernardo, Flávio e Clóvis; Jarbas e Rubens; Biguá, Jair, Ari, Damásio e Beto. Já o Tristezense veio com Ivan; Antenor, Miguel e Hugo; Domanga e Oquelésio; Natal, Cachoeira, Zanenga, Jorge e Babá.

Com os resultados, o Botafogo foi campeão, pela primeira vez em quatro anos, do campeonato do Diretório da Tristeza. Ganhou, ainda, o direito de disputar o Absoluto da Terceira Categoria, em janeiro do ano seguinte. Na primeira eliminatória, em 10 de janeiro, disputada na Vila Nova, o Botafogo venceu o Espírito Santo, representante do Diretório Belém Novo-Vila Nova, por 2 a 0. No final de semana seguinte, jogando no campo do Israelita, o Botafogo acabou derrotado (e eliminado) por 2 a 1, em jogo contra o Tricolor (representante do Diretório Bonfim e futuro campeão).

Este seria a última grande temporada do Botafogo, que, nos anos seguintes, seria substituído pelo Bandeirantes como principal rival do Tristezense e suplantado, até mesmo, por equipes bem mais novas, como o Otto Niemeyer. Já o Tristezense ainda viveria bons momentos nos anos 1960, mas também não chegaria ativo ao final da década, sucumbindo junto de grande parte do futebol menor porto-alegrense.

As fotografias são da Folha da Tarde Esportiva.

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