Grandes Marcas – Lusbal Artigos Esportivos Ltda.

Com a participação do amigo João Garcia.

No dia 14 de julho passado, faleceu o Sr. Luiz Souza Leal, simpático fundador da Lusbal, a “amiga mais antiga“. Há horas eu estava planejando postar algo sobre a loja, recentemente fechada, mas sempre me faltou (e continua me faltando) conteúdo. Seu Luiz era um desportista fiel. Embora colorado, foi sócio do Cruzeiro por mais de 50 anos, além de ter sido conselheiro do clube. Foi lateral direito do mítico Bambala, onde era conhecido como Feijão. Também foi fundador do Bonsucesso Atlético Clube, o “mais glorioso do Alto Petrópolis“, do qual chegou a ser presidente.

Luiz Souza Leal Bonsucesso ACUm jovem Luiz Souza Leal (terceiro, da esquerda para a direita) como presidente do Bonsucesso Atlético Clube, em 1950 (foto do Facebook do clube, usada com autorização)

Em 1946, fundou a Lusbal, depois de tentar a vida como comerciante no Amazonas. A fábrica sempre esteve na Protásio Alves, embora não no mesmo lugar. No ano seguinte, a empresa já assumia a posição de fornecedora oficial de bolas para Federação Rio-Grandense de Futebol, sendo usada nos campeonatos da capital e do interior. Curiosamente, a bola da Lusbal levava o mesmo nome da contemporânea da Cauduro (ambas sem tento): Extra.

LusbalFoto do acervo do 1PMFG mostrando a primeira sede da Lusbal, na esquina da Protásio Alves com a São Manoel. Quem desvendou o “mistério” foi o amigo Roberto Bossle. 

Embora, inevitavelmente, o futebol fosse o carro chefe, a Lusbal sempre se orgulhou de ser democrática. “Bolas para todos os esportes” ou “todos os artigos para esportes” eram slogans comuns da empresa ao longo de sua história. É tradicional em Porto Alegre a história de que a Lusbal utilizava mão-de-obra de detentos para a confecção de bolas. Como conta Erich Beting no O livro das Bolas de Futebol, esta estratégia foi comum, em todo o Brasil, a partir dos anos 1940. Os fabricantes forneciam os gomos de couro já cortados, enquanto os detentos os costuravam em troca de redução de pena ou mesmo de remuneração por bola confeccionada.

Mais tarde, o projeto Palácio dos Esportes da Lusbal previa a transformação do espaço numa loja-museu do desporto gaúcho, homenageando atletas históricos. Por diversos motivos, o projeto acabou não indo adiante. Os poucos achados relacionados a algum tipo de memória escrita da Lusbal são do jornalista João Garcia. No livro Do Futebol e da Vida (ou de louco todos nós temos um pouco), publicado em 2001, com histórias dele e de Cláudio Cabral, João Garcia conta a angustia da espera, em Arroio Grande, por sua primeira bola da Lusbal. Aliás, o Sr. Luiz enviava a Lusbal Extra para qualquer canto do estado.

Nos últimos anos, a Lusbal continuava apoiando o esporte amador fornecendo uniformes, taças e medalhas. Até há não muito tempo, também era a principal fornecedora de material esportivo da Escola Rubra, do Internacional. Até o final da loja, o seu Luiz atendeu, com disposição, sorriso, um chazinho e muita história, a todos os fiéis clientes. Em meados de 2018, a Lusbal fechou as portas definitivamente.

“Amiga mais antiga”

lusbal propagandaEm anúncio de página inteira do Anuário Amaro Jr. de 1947, a Lusbal se orgulha de ter sido a bola oficial do campeonato de Porto Alegre e do Interior, entre outras coisas.

LusbalA Lusbal nos anos 1950, em foto de http://www.prati.com.br.

Captura de Tela 2018-04-15 às 22.14.05

Captura de Tela 2019-07-18 às 23.29.27Até não muito tempo atrás (2015, com certeza), a fachada da Lusbal ainda tinha a inscrição clássica do “Amiga mais antiga” e a tradicional bola de futebol pintada na porta (o mesmo desenho do anúncio de 68 antes).

Captura de Tela 2019-07-18 às 23.30.34Nos últimos anos de atividade, o prédio inteiro foi repintado de azul, cobrindo as já históricas inscrições. Além disso, a logotipia foi substituída por uma mais moderna e menos característica.

2 comentários sobre “Grandes Marcas – Lusbal Artigos Esportivos Ltda.

  1. Cathy Perez Souto disse:

    Conheci o seu Luiz desde quando nasci, padrinho da minha Tia, melhor amigo do meu pai. Até ano passado parava para tomar cafézinho e conversar com ele e a dona Yaco. Não citarão que ao longo da loja ele doava incansalvemente para escolas e entidades carentes artigos esportivos. Fui e sou vizinha dele há 53 anos. Que esteja em paz!!!!!

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