Antigos Estádios de Porto Alegre

O amigo e pesquisador José Luiz Tavares Maciel encontrou umas fotos de estádios, no meio de umas pastas sobre o Força e Luz. No verso da maioria, estava escrito “Corinthians – 1948”; no verso de outras, “Nacional”. São fotos, respectivamente, do Estádio da Timbaúva e da Chácara das Camélias.

Estádio da Timbaúva

O campo do Força e Luz (que se chamou Corinthians, entre 1947 e 1952) foi inaugurado em 1935. Foi considerado um bom estádio por alguns anos, principalmente por ser de fácil acesso, abrigando jogos da seleção gaúcha e Grenais decisivos. Sua decadência se deu junto com a do clube. Em seus últimos anos, era sede de campeonatos amadores e sobrevivia, também, do aluguel de quadras de futebol 7, construídas ao redor do campo principal. Em 2006, com o Força e Luz tendo em torno de 50 sócios em dia, o estádio foi vendido para a Companhia Zaffari de Supermercados e o clube oficialmente extinto. Foi desmantelado logo em seguida. O famoso pavilhão, pelo qual o zagueiro Aírton havia sido trocado com o Grêmio, retornou ao clube tricolor e acredito que permaneça desmontado em algum canto. Outros itens, incluíndo taças e a torrezinha de energia que ficava acima do portão principal estão sob bons cuidados do Centro Cultural da CEEE. Como se vê no Google Maps, tecnicamente, o estádio ainda existe, na Rua Alcides Cruz, já que, como de costume, o Zaffari leva, pelo menos, décadas para construir nos terrenos que compra.

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Chácara das Camélias

A Chácara das Camélias foi um dos primeiros estádios de Porto Alegre, inaugurada em 1923 pelo FBC Porto Alegre (o outro clube fundado em 15 de setembro de 1903). Também teve seus anos gloriosos no começo do século passado, mas logo já era tida como um bom exemplo de estádio ruim. Pouco antes da falência definitiva dos caturritas, foi vendido para o Nacional, em 1942. A partir daí, foi a casa do clube dos ferroviários até a sua extinção, em 1958. O campo ficou semi-abandonado até meados dos anos 1970, quando a área foi vendida para uma rede de supermercados. Enquanto ia se desmanchando, era, eventualmente, usado para partidas maiores de campeonatos amadores. Ironicamente, hoje a bandeira do supermercado que ocupa o terreno é, exatamente, Nacional.

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E o que são essas fotos?

No final dos anos 1940, havia uma campanha muito grande da Federação para a construção de um Estádio Municipal. Mostrando a precariedade dos campos dos clubes filiados da capital, a FRGF pretendia comover administradores e toda a comunidade. Além disso, a Copa do Mundo se aproximava e a cidade não tinha um estádio pronto para isso. A Chácara das Camélias e a Timbaúva eram dois dos principais garotos-propaganda às avessas. No relatório anual da FRGF de 1948, algumas das fotos que o Maciel encontrou foram publicadas num “pôster” promovendo o Estádio Municipal, que, por bem ou mal, nunca saiu do papel.

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