As camisetas do Esporte Clube Novo Hamburgo, de Novo Hamburgo (parte 4, os anos 1990)

Com ilustrações de Evaldo Júnior (erojkit.com)

Não há dúvida de que, ao longo dos anos 1990, o Novo Hamburgo viveu seus piores dias até aqui. Isso não evitou, porém, que o clube utilizasse algumas camisetas muito legais e verdadeiros clássicos de nosso futebol. O anilado se mantém na primeira divisão até 1993, quando faz a terceira pior campanha entre 24 equipes, com dez derrotas em 21 partidas.

Nos anos 1990, grande parte das tradicionais agremiações gaúchas chegaram ao auge da crise financeira. Com relação ao fornecimento de material esportivo, diversas estratégias foram utilizadas para manter o futebol em funcionamento. Dois dos principais fenômenos nessa área foram (1) o retorno dos clubes aos fornecedores locais e (2) a utilização de material esportivo fornecido por pequenos fabricantes do centro do país, especialmente paulistas. A década viu o surgimento dos modelos padronizados e com desenhos de formas geométricas abstratas. Geralmente, os clubes compravam jogos de camisetas, com cores semelhantes às do clube, a partir de um catálogo, e providenciavam a serigrafia do distintivo e dos patrocinadores (caso houvesse, claro). O Novo Hamburgo se valeu desses dois expedientes. Foi, por exemplo, a década em que a tradicional Malharia Eudajo esteve mais presente no futebol profissional do clube, mas também a que viu o clube com camisetas das marcas Firula, Run Bird e Kanxa.

Entre 1991 e 1994, tem destaque nas camisetas do Noia, fabricadas pela Eudajo, o patrocínio da Peças Car. Em 1991, em ambas as camisetas, o patrocínio tem fundo vermelho.

As camisetas de 1992 tem o padrão que ficou conhecido como carijó, que se se tornou famoso no Brasil com as camisetas produzidas pela Dell’erba para o Bragantino em 1990, mas que tem origem numa camiseta reserva do Ajax, de Amsterdã, do ano anterior. O padrão se disseminou no Brasil com o sucesso do Bragantino e, no Rio Grande do Sul, foi copiado por diversos fabricantes, especialmente pela Eudajo.

Em 1993, o Novo Hamburgo usa camisetas da marca Firula. Embora a Firula tenha fornecido material esportivo, principalmente, para equipes do interior de São Paulo, acredito que a fábrica fosse cearense e tenha sido recentemente fechada.

Jogando novamente a Segundona, em 1994, o clube usa camisetas muito parecidas com as de 1991. As maiores diferenças se dão no patrocínio da Peças Car, que perde o fundo vermelho, e num discreto friso de cor inversa à da camiseta nas mangas e no ombro. Esse modelo apresenta algumas variações no tipo da gola (como pode ser visto no acervo do 1PMFG no final do post).

Depois de sofrer na Segundona ainda em 1995, o Novo Hamburgo consegue, finalmente (e com alguma facilidade) o acesso para a Série B, em 1996. Nessas duas temporadas, as camisetas titulares são quase idênticas, embora tenham patrocínios diferentes. No entanto, enquanto as camisetas de 1996 são fabricadas pela Eudajo, as de 1995 são da marca Run Bird. A Run Bird era uma marca de uma indústria paulista de material esportivo chamada Sport Ação que usava o logotipo da japonesa Mizuno (que, por sinal, se chama Run Bird), até ser acionada na justiça.

O retorno do Novo Hamburgo à primeira divisão (que, na época, era dividida em séries A e B) não foi dos melhores. O time se manteve na série B, entre 1997 e 1999, com campanhas muito ruins e que culminaram com novo rebaixamento para a Segundona. Em 1997, as camisetas passam a ser de um modelo padronizado da fabricante paulista Kanxa, mantendo-se o patrocínio das Lojas Chinesinha.

A Eudajo volta em 1998, agora com patrocínio da Baby Sul. O uniforme titular outra vez passa a ser listrado, num padrão semelhante ao das camisetas de 1995 e 1996, mas com um azul mais claro, lembrando as camisetas listradas do início da década anterior. É utilizado, ainda, um terceiro uniforme com listras diagonais, muito bonito.

1998 ECNH (diagonal)

O ano do novo rebaixamento, 1999, é o primeiro com fornecimento de material esportivo da efêmera caxiense Giocatore. O patrocinador principal seguiu sendo a Baby Sul. A camiseta reserva lembra as camisetas brancas da década de 1970.

De volta à Divisão de Acesso em 2000, o Novo Hamburgo sobrou na competição. Com apenas três derrotas em 28 jogos, o anilado terminou a fase final oito pontos a frente do segundo colocado (São Paulo) e 12 a frente do primeiro não promovido (Glória). O sucesso, no entanto, ainda não seria persistente, pois, logo adiante, o Noia ainda sofreria mais um rebaixamento, como veremos daqui a dois finais de semana. As camisetas do ano 2000 também eram da Giocatore, porém sem um patrocinador master e algumas outras discretas diferenças.

Acervo do 1PMFG

Camiseta titular (1991)

Camiseta reserva (1994)

Nos detalhes, se vê que, nessa época, a Malharia Eudajo mudou um pouco o padrão da etiqueta, que era mais estreito e comprido (típico da década de 1980). Além disso, nessa época, também ocorreu uma alteração de endereço da empresa, com a mudança da Rua Júlio Aichinger para a Rua dos Andradas.

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