Quase fora do tópico: O Ginásio da Universíade terminando de vir abaixo.

Apenas para não deixar passar em branco – Ontem, passei em frente ao Ginásio da Brigada, na esquina da Silva Só com a Ipiranga, e percebi que maquinário pesado começava a terminar o processo de demolição inaugurado pela força da natureza em outubro de 2017. Eu sou um preservacionista. Fico triste quando vejo um prédio bonito, independentemente da idade, ser substituído por torres de apartamentos ou escritórios (ou meio-a-meio) sem identidade alguma, mas com espaço kids e espaço gourmet. Duas coisas reforçam a minha tristeza: uma é quando a beleza da construção é subestimada e outra é quando os prédios vêm sorrateiramente abaixo. Um bom exemplo disso foi o prédio da Panambra, na João Pessoa. Uma das construções mais bonitas da cidade, pelo menos na opinião de um completo leigo no assunto como o autor deste blog. Mas esse não é o caso do Ginásio da Brigada que, sem dúvida, tem (ou tinha) a alma muito mais bonita do que a face. Visualmente, não vai fazer falta.

Curiosamente, o Ginásio que vai levar mais de dois anos para desaparecer aos poucos foi construído em apenas três meses, às pressas, para ser utilizado na célebre Universíade de 1963. Foi a única construção inteiramente realizada com esse propósito, já que todo o resto foi, no máximo, adaptado. Sou fascinado pela história da Universíade desde a primeira vez em que eu subi às cadeiras locadas do Estádio Olímpico, que foi palco da abertura daqueles jogos. Na escadaria principal, havia um painel de azulejos com as bandeiras dos países participantes da modalidade do atletismo. Vexilologista enrustido que sou, perguntei para o meu pai o significado daquilo, ele me explicou e eu fiquei embasbacado com o acontecimento de 20 anos antes de eu nascer. O Olímpico, por sinal, teima em permanecer de pé, ao contrário do Ginásio, que agora desistiu.

Universíade 01Universíade 02

Em homenagem à Universíade e seus moribundos de tijolos e concreto, postamos duas fotos oficiais do acervo do 1PMFG (uma do Olímpico, outra do Ginásio). Aliás, onde andará o mural de azulejos do Olímpico?

Referências:

Aqui fala que o painel foi removido e levado para a Arena. Se alguém souber onde ele está, por favor, nos avise: https://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2012/08/08/gremio-remove-painel-historico-e-mudanca-para-arena-sera-completa-com-calcada-da-fama.htm

https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/almanaque/noticia/2018/01/um-ginasio-e-sua-historia-cjcmdfqbp02yh01phraz4uanw.html

https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/pol%C3%ADcia/gin%C3%A1sio-da-brigada-militar-%C3%A9-parcialmente-demolido-1.356146

2 comentários sobre “Quase fora do tópico: O Ginásio da Universíade terminando de vir abaixo.

  1. Wagner disse:

    Concordo com o prédio da Panambra. Já o ginásio, não sei. Tem o contexto histórico da Universíade, ok, mas quem preserva essa memória hoje em dia? Ninguém. Alguma menção na Vila Olímpica? Algum bairro na cidade? Alguma seção de museu? Não consigo culpar o governo por vender o terreno. Assim dá pra dar aumento pro judiciário do RS…

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    1. lreissouza disse:

      Ah, não. Eu concordo. Não acho que tinha que preservar o Ginásio. Da Universíade, além do Olímpico, restam, ainda, a Vila Olímpica, em torno da qual cresceu a Intercap, e os clubes. As competições aquáticas foram no União, acho que o tênis foi na Leopoldina, esgrima na Sogipa, teve alguma coisa no Petrópole também…

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