As camisetas do Esporte Clube Novo Hamburgo, de Novo Hamburgo (parte 1, os anos 1960)

Com ilustrações de Evaldo Júnior (www.erojkit.com)

Quando eu comecei o blog sempre deixei bem claro que o meu objetivo não era falar de coisas que já foram faladas mil vezes e que se encontram em qualquer lugar da internet. Comecei, em novembro do ano passado, com o objetivo de apenas fazer uma linha do tempo das camisetas das equipes profissionais gaúchas a partir de 1961. Depois, achei que as camisetas ficavam um pouco soltas e achei por bem escrever um pouco da história dos clubes como pano de fundo para as camisetas, não mais do que isso. Não sou, nem quero ser, um especialista nos detalhes da história de todas as equipes do Estado. Procuro, então, apenas não escrever bobagem, mas às vezes pode escapar alguma. Portanto, sempre que acharem algo errado nos textos, por favor, me corrijam.

Escrevo isso hoje porque começo a escrever a história das camisetas de um dos clubes que tem uma das comunidades mais fortes de pesquisadores e de colecionadores do RS: o Esporte Clube Novo Hamburgo. Mais recentemente, Jackson Kayser me ajudou muito a desvendar o ano-a-ano das camisetas do Nóia. Em outros momentos, Rafael Weber e Carlos Nauri, por exemplo, já me auxiliaram bastante com algumas dúvidas. O livro de Gilson Romano Warken, Futebol de Novo Hamburgo e Outras Histórias 1900-1942, embora trate de um período anterior ao que eu me dedico, também é uma ótima leitura sobre o tema.

Ainda sobre o funcionamento do blog, há não muito tempo, eu prometi que não dividiria os clubes em mais do que quatro domingos. Era mentira. Cheguei a conclusão de que o mais viável é, para times com mais de duas décadas de atividade, que as postagens sejam feitas falando em intervalos de dez anos. Ou seja, os clubes mais consistentes serão tratados em seis finais de semana. E vou tentar manter como antes, intercalando os artigos com outros sobre clubes de vida profissional mais curta, para não deixar o blog monótono.

Mas vamos ao Esporte Clube Novo Hamburgo. Na opinião do autor, sem querer entrar em polêmicas, pelo menos em relação a conquistas, o Novo Hamburgo é um dos cinco maiores times do Estado. Antes de ser campeão gaúcho, em 2017, o Noia já era, aí sem a menor dúvida, o maior time não campeão do RS. Com o título (e, lembrando, me refiro à grandeza de conquistas), me parece lógico que o Novo Hamburgo fique atrás da óbvia dupla Grenal e do Juventude, enquanto com o Brasil faça um duelo pelo quarto posto.

Como conta Warken, o Novo Hamburgo foi fundado em 1 de maio de 1911, a partir de uma confraternização de funcionários da fábrica de calçados Sul Rio-Grandense (depois Adams). Embora tenha passado um curto período no bairro Pátria Nova, sua primeira casa mais duradoura foi o Estádio dos Taquarais, no centro da cidade, onde se fixou ainda em seus primeiros anos. A partir de 1925, quando conquista o primeiro título municipal, o Novo Hamburgo é quase invariavelmente o campeão da cidade. Nesse período, se desenvolve uma rivalidade significativa com o Esperança, que duraria muitas décadas e, constantemente, extrapolava o campo de jogo.

Em 1937, em meio à polêmica pelo profissionalismo, o Novo Hamburgo vinha numa excelente temporada, como campeão da região noroeste e já tendo vencido Inter, Cruzeiro e Americano, três das equipes que compunham a AMGEA (entidade quer regia o futebol na Capital e que era filiada à FRGD e, consequentemente, à CBD, ambas amadoristas). No mês de julho, com os campeonatos em andamento, a FRGD convoca um congresso, no qual o representante do Novo Hamburgo reafirma fidelidade à FRGF. Logo depois, a cisão se confirma, com a criação de uma entidade profissional em Porto Alegre, que ficou conhecida como AMGEA Especializada, causando o esvaziamento do campeonato “oficial”. Para preencher as vagas, a AMGEA convidou alguns clubes de outras ligas, entre eles o Novo Hamburgo, que acabaria por tornar-se o campeão de Porto Alegre naquele ano e representante da Capital no torneio estadual. O clube acabaria eliminado, nas semifinais, pelo Grêmio Santanense. Dois anos mais tarde, o futebol da capital é reunificado e, para isso, houve a necessidade de uma limitação no número de equipes. O Novo Hamburgo, único time localizado fora dos limites do município de Porto Alegre, foi o representante mais natural a deixar o grupo.

O ano de 1942 foi importantíssimo para o futebol gaúcho e especialmente movimentado para o Novo Hamburgo. O campeonato estadual foi finalmente e definitivamente profissionalizado. Em julho, em meio à onda nacionalista e à guerra contra o eixo, o Novo Hamburgo é obrigado a alterar sua nomenclatura para esconder as origens germânicas e passa a ser chamado Esporte Clube Floriano. O Floriano conquista a vaga para o campeonato estadual, indo até a grande final, na qual enfrenta o Inter e é amplamente superado com duas derrotas, 10 a 2 e 4 a 1.

Estádio dos Taquarais 1948Floriano e Grêmio se enfrentam nos Taquarais em 1948 (fonte: http://almanaquekoseritz.blogspot.com/2012/)

O Floriano tornou-se frequentador assíduo da fase final do Gauchão, ausentando-se apenas uma vez entre 1942 e 1950, em 1945, quando estava suspenso pela Federação e foi substituído pelo rival Esperança. No campeonato de 1947, o Floriano foi, mais uma vez, até a final. O adversário, mais uma vez, foi o Internacional, mas, dessa vez, o anilado vendeu bem mais caro a derrota. Depois de perder em Novo Hamburgo por 1 a 0, com um gol de pênalti supostamente inventado, o Floriano derrotou o Inter nos Eucaliptos por 2 a 1, perdendo o título na prorrogação. Outra boa campanha (e outro vice-campeonato) ocorreu no campeonato de 1950, quando o Floriano chegou ao quadrangular final, disputado no começo de 1951. Enfrentando Internacional, Uruguaiana e Brasil, o Floriano foi superado apenas pelo representante da capital, ficando, mais uma vez, com o vice-campeonato e o título de melhor equipe do interior. Em 1953, as fortes equipes do Floriano e do Aimoré são convidadas para ingressarem no campeonato da Capital, que passa a ser chamado de Metropolitano (e, dois anos depois, com o acréscimo das equipes de Caxias do Sul, Divisão de Honra). No mesmo ano, o Floriano vende o velho Taquarais e adquire o campo do Santa Rosa, até então casa do Adams. Ao longo desses anos, o Floriano acabou se firmando, consistentemente, como a terceira força do futebol metropolitano.

f2db0a9c-4869-4f81-b22b-720eda847242O Santa Rosa é visto quando ainda pertencia ao Adams FC (acervo do 1PMFG).

Com a reorganização do futebol gaúcho em 1961, quase todas as equipes da Divisão de Honra foram alocadas na primeira divisão, incluindo o Floriano. Logo no primeiro ano, o Floriano repetiria a classificação da última Divisão de Honra, ficando atrás apenas da dupla Grenal. Em 1965, mais uma vez, o Floriano é terceiro colocado, mas perde o título do interior por ficar atrás do Juventude, vice-campeão. Uma péssima campanha em 1967 encerrou-se com o rebaixamento do clube, que seria beneficiado (junto de outros cinco times) com a primeira grande virada de mesa da FGF no ano seguinte.

 

Na primeira metade dos anos 1960, embora a camiseta azul se mantivesse como a titular, o Floriano usa camisetas reservas brancas muito características. Até 1965, as camisetas tem gola em V. A camiseta branca tem duas finas listras horizontais azuis até 1963 e uma listra grossa entre 1964 e 1965. Em ambas o distintivo fica no centro do peito.

Ainda como Floriano, o clube usa duas camisetas brancas diferentes. Em 1966, aparecem camisas com gola do tipo polo. No ano seguinte, voltam as golas em V, porém mais frouxas do que no começo da década, além de haver uma modificação significativa no distintivo.

O nome Novo Hamburgo retorna em 1968 com camisetas de gola tipo polo, nos dois uniformes.

E, finalmente, em 1970, retorna a gola do tipo V, que permaneceria até 1972.

1970-1972 EC Novo Hamburgo (azul)

Fontes:

Página oficial do Novo Hamburgo

Warken, Gilson R; Futebol de Novo Hamburgo e Outras Histórias 1900-1942; 2017.

Jornal A Federação

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