As camisetas do Esporte Clube São Luiz, de Ijuí (parte 1, de 1961 a 1991)

Com ilustrações de Evaldo Junior (erojkit.net)

Desde os anos 1990, o São Luiz é um dos mais assíduos participantes da elite do Gauchão, perdendo apenas para as duplas Grenal e Caju e para o VEC em número de participações. Fundado em 20 de fevereiro de 1938, iniciou sua trajetória como clube amador. São Luiz veio do nome do salão em que foi fundado, na Paróquia Nossa Senhora da Natividade. Na década de 1940, ganhou seu grande rival local, o Grêmio Esportivo Gaúcho, com quem dividiu as atenções do campeonato municipal nas duas décadas seguintes. Embora não tenham obtido sucesso significativo fora dos limites de Ijuí na fase amadora, ingressaram juntos no profissionalismo em 1956, na disputa da segunda divisão.

Disputando a segunda divisão e, posteriormente, a terceira divisão quando ela foi criada em 1967, as equipes de Ijuí costumavam ser facilmente superadas pelos times de Cruz Alta e, depois, pelos de Santo Ângelo, numa época em que as divisões inferiores ainda eram regionalizadas. O São Luiz começa a década de 1960 utilizando camisetas típicas do período com gola polo. Curiosamente, em algumas temporadas, o clube utiliza as camisas com cor única (mais frequentemente, a gola era da cor inversa ao corpo da camisa). Nos últimos anos da década, pelo menos a camisa branca já tinha gola V.

 

Em 1971, o rubro tem a sua primeira campanha com um pouco mais de destaque, quando fica em segundo em sua chave na Segundona, atrás do Tupy, mas à frente do Gaúcho, do Elite, do Grêmio Santoangelense e do Botafogo de Três de Maio. Com isso, obteve uma vaga na Copa do Governador daquele ano, na qual não obteve grande sucesso. Dois anos depois, novamente na Copa do Governador, o São Luiz ficou a um ponto de conquistar uma vaga para a elite do futebol gaúcho. Depois de ser campeão de seu grupo na primeira fase, ficou em décimo na fase final, com 20 pontos contra 21 de Gaúcho de Passo Fundo e Ypiranga, os últimos classificados.

A vaga veio em 1974, quando o São Luiz ficou em quarto na Copa do Governador. Na estreia na elite, o São Luiz perdeu a classificação para a fase final no saldo de gols, mais uma vez, para o Gaúcho de Passo Fundo. Ainda no começo de 1974, os rubros venceram um curioso torneio internacional de verão disputado em Montevidéu, chamado Copa dos Gaúchos. No torneio, quatro times gaúchos (EC São Luiz, A Caxias de F, Armour FC e GE Bagé) e quatro uruguaios (CA Defensor, CA Rentistas, Danúbio FC e Liverpool FC) eram divididos em dois grupos. O São Luiz ficou em segundo no grupo de Bagé, Danúbio e Defensor. Na semifinal, venceu o Rentistas por 3 a 1. Na final, reencontrou o Liverpool e foi campeão vencendo o jogo por 1 a 0.

Em 1975, o São Luiz teve um bom ano: venceu a segunda divisão, foi bem na Copa do Governador e venceu a Copa Pedro Carneiro Pereira, garantindo vaga no Gauchão de 1976. Após a temporada de 1977, sem nunca ter conseguido fazer uma boa campanha na elite, embora tenha sido assíduo participante na segunda metade da década, o São Luiz acabou solicitando licenciamento. Ao longo dos anos 1970, o São Luiz utilizou, basicamente, dois padrões de camiseta. Até 1973, elas tinham gola redonda (a branca segue assim até, pelo menos, 1975). A partir de 1974, as camisetas vermelhas ganham grossas golas V. Chama a atenção, ainda, que o distintivo das camisetas com gola V da época é de muito baixa qualidade. Ainda sobre o distintivo, é interessante perceber que, até meados dos anos 1970, aparentemente, o distintivo prioritariamente utilizado tinha o Ijuí em branco escrito num cantão vermelho. Isso se alteraria quando do retorno nos anos 1980.

 

 

Entre 1978 e 1985, o São Luiz esteve afastado do futebol profissional, embora tenha mantido equipes amadoras no período. Nos primeiros anos do retorno, o São Luiz, em geral, formava equipes jovens, principalmente com jogadores da região. De 1986 a 1988, o São Luiz sempre ficou pelo caminho da Segundona, sendo eliminado na penúltima fase invariavelmente. No período, se desenvolveu grande rivalidade regional, especialmente com o Guarany de Cruz Alta, sendo o rubro ijuiense mais frequentemente superado. As camisetas utilizadas em 1986 e 1987, por incrível que pareça, se assemelham muito às usadas quando do licenciamento em 1977, embora com patrocínio das Lojas Ceriluz. Não duvidaria que tenham sido reaproveitadas. Na maioria das fotos, as camisetas das duas primeiras temporadas aparecem sem distintivo, porém, em alguns vídeos, pelo menos a vermelha com certeza o tinha.

 

Em 1988, o São Luiz esteve muito perto de disputar o octogonal final do acesso, mas perdeu a vaga em casa para o Ypiranga de Erechim, num empate em um gol. No ano seguinte, os rubros passaram muito bem por todas as fases regionalizadas, mas acabaram desandando no octogonal final, ficando apenas na quarta colocação (os dois primeiros subiam). Para a temporada de 1990, o empresário e ex-atleta do São Luiz, João Clóvis Bagetti, que havia assumido a presidência do clube no ano anterior e estava decidido a levar a elite do futebol gaúcho novamente a Ijuí, fez uma base modesta e completou a equipe com jogadores consagrados como o goleiro Jânio (vindo do Ypiranga após rodar o estado), o zagueiro Ildo e Paulo Gaúcho (que viria a ser uma lenda do Gauchão), além do treinador Paulo Sérgio Poletto.

O campeonato de 1990 começou devagar para o time de Ijuí, passou por uma grande confusão e acabou em consagração. Marcando apenas dois pontos nos primeiros três jogos da primeira fase, o clube teve que buscar a recuperação e acabou sendo campeão do grupo (composto por seis clubes), depois de um jogo desempate contra o Gaúcho de Passo Fundo. Na segunda fase, o São Luiz venceu seu octogonal com alguma facilidade. Na última fase, também um octogonal, ocorreu, na última rodada, um dos episódios mais notórios do futebol do interior gaúcho, que ficou conhecido como A Batalha de Santa Bárbara. Internacional de Santa Maria, Guarani de Venâncio Aires e São Luiz chegavam à última rodada com chances de acesso. Inter e Guarani jogavam entre eles, enquanto o São Luiz enfrentava, fora de casa, a Associação Santa Bárbara que, apesar de ótima campanha, já estava eliminada. Ijuí invadiu Santa Bárbara do Sul, o time da casa saiu na frente logo no começo do jogo e uma confusão eclodiu no pequeno estádio e tomou conta das ruas. O jogo foi interrompido no final do primeiro tempo. No outro jogo, um empate amigo classificava os dois times, considerando-se a derrota do São Luiz. O jogo de Santa Bárbara foi imediatamente para os tribunais, foi remarcado para o mesmo local com portões fechados, os times compareceram mas o campo estava sem condições. A partida foi remarcada, então, para Porto Alegre, na semana seguinte. Dessa vez, só o São Luiz compareceu, sendo atribuída a vitória por WO. Ainda hoje, o pessoal de Santa Bárbara e de Santa Maria considera que a FGF favoreceu o São Luiz por influência de Emídio Perondi, ex-presidente do clube de Ijuí e segundo homem da Federação, abaixo do presidente Hoffmeister. A história da Batalha de Santa Bárbara foi muito bem contada, em 2009, numa postagem em quatro partes do Futebesteirol. O título do campeonato ainda seria decidido em março do ano seguinte, em dois jogos contra o Guarani, ficando o São Luiz com o título após perder em Venâncio Aires por 1 a 0, vencer o jogo de volta por 2 a 1 e marcar 1 a 0 na prorrogação.

Na sua reestreia na elite gaúcha, o São Luiz não fez feio. Na primeira fase, dividida em dois grupo de dez clubes, ficou em segundo lugar, atrás apenas do Internacional. Na segunda fase, entretanto, num quadrangular com três representantes do outro grupo, incluindo o Grêmio, o São Luiz acabou na última posição.

Entre 1988 e 1991, o São Luiz usa praticamente as mesmas camisetas, com pequenas modificações. Em 1988, por exemplo, as camisetas não tinham patrocínio na frente. A partir de 1989, a Imasa passa a ter destaque como patrocínio principal, o que dura até 1995. Além disso, nos primeiros anos, as camisetas eram feitas com um tecido furadinho, enquanto nos últimos elas já eram com tecidos de fio acrílico, porém mantendo o mesmo corte.

 

Exatamente sobre essa fase do São Luiz, tem uma reportagem de 1991 na TV local que está disponível no YouTube.

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