As camisetas do Veranópolis Esporte Clube Recreativo e Cultural, de Veranópolis (parte 1, de 1992 a 2001)

Estamos na parte 1 dessa história (1992-2001). Caso queira ir para a segunda parte (2002-2011), ela está aqui.

Com ilustrações de Evaldo Júnior (www.erojkit.com)

Afirmo, sem titubear: o Veranópolis, mais conhecido localmente como VEC, é a fusão mais bem sucedida da história do futebol gaúcho. Por outro lado, é uma das poucas que foi feita, de alguma maneira, duas vezes. A primeira vez que os rivais locais, Grêmio Esportivo e Cultural Dalban e Clube Atlético Veranense Recreativo e Cultural, tentaram se unir foi nos anos 1970, na frustrada Associação Veranópolis de Futebol. A partir da metade da década de 1980, Dalban e Veranense alternavam licenciamentos com péssimas campanhas em divisões inferiores. O interesse geral no futebol ia diminuindo, assim como a rivalidade ia esfriando. Com isso, a ideia de uma nova fusão começa a ganhar força, principalmente por influência de parte da imprensa local.

No final de 1991, as direções de ambos os clubes já estavam convencidas da fusão e contavam com apoio da prefeitura e da FGF. No dia 15 de janeiro de 1992, o novo clube foi fundado, ainda sem uma identidade bem definida. Ao longo dos meses seguintes, a entidade foi ganhando forma. Originalmente, seria tricolor, mesclando as cores de Dalban e Veranense. Do Dalban viria o verde. Como os dois usavam branco, o branco entrou fácil. Do Veranense, se escolheria o vermelho ou o azul. Com medo de desagradar gremistas ou colorados, ficaram as duas cores. Numa reunião na prefeitura, o presidente do recém criado clube, Alindo Giusti, notou que, das cores da bandeira do município, a única que faltava era o amarelo. Como já tinham quatro cores, uma a mais não ia fazer diferença e estava, assim, criado o pentacolor da Terra da Longevidade: amarelo, azul, branco, verde e vermelho. O nome, Veranópolis, já havia sido decidido antes mesmo da oficialização da fusão, mas o “sobrenome”, Esporte Clube Recreativo e Cultural, também foi decidido ao longo dos primeiros meses. No distintivo, além do nome, da data de fundação e das cinco cores, optou-se por incluir o pórtico de acesso à cidade, monumento histórico. Estava pronto o Veranópolis Esporte Clube Recreativo e Cultural.

Formação do Veranópolis

De onde surge a identidade do Veranópolis ECRC?

Com o clube pronto, faltava o time, que deveria ser montado em pouco mais de um mês para a disputa da Segundona. Para treinador, foi contratado um jovem Adenor Bacchi, que havia feito uma boa campanha com o Guarany de Garibaldi no ano anterior. Sem muito tempo para pensar, Tite trouxe junto boa parte dos jogadores do Guarany, que se somaram a poucos remanescentes das últimas incursões de Dalban e Veranense no profissionalismo e algumas contratações pontuais. A primeira campanha não foi ruim, com o VEC sendo eliminado na segunda fase apenas após um jogo desempate contra a Tresmaiense. Curiosamente, o Guarany de Garibaldi acabaria campeão.

No começo, tudo era dividido, tentando não repetir os erros da fusão dos anos 70. As diretorias, por exemplo, eram sempre exercidas por duas pessoas, uma representante de cada clube original. Ocorreu, inclusive, um revezamento dos estádios. Então, se na primeira temporada foi utilizado o Antônio David Farina, do Dalban, em 1993, o Veranópolis mandou seus jogos no Estádio da Palugana, do Veranense. E foi na Palugana que o VEC sepultou de vez a rivalidade e tornou-se o time da comunidade inteira, com a campanha do acesso em 1993. Depois de um período inicial de instabilidade, o Veranópolis fez um campeonato irretocável, que culminou com o título conquistado sobre o Bagé.

 

Desde a primeira temporada, a Lupisport foi, em diversos momentos, parceira do Veranópolis. Não raro, um fabricante local é muito identificado com o time da cidade, mas acredito que poucos se comparam ao binômio Lupisport-VEC. O primeiro patrocinador do clube foi uma distribuidora de bebidas veranense chamada Nordeste. Esse é o motivo pelo qual as primeiras camisetas do VEC têm o patrocínio da Coca-Cola. A camiseta azul de 1992 seguiu sendo utilizada, eventualmente, em 1993. Ela tinha um patrocínio um pouco esdrúxulo, que juntava meio logotipo da Fanta com o logotipo da Coca-Cola. Em 1993, foi utilizada uma camiseta vermelha, que, inicialmente, também tinha patrocínio da Nordeste. Apenas na reta final do quadrangular decisivo passou a ter o patrocínio da própria Lupisport. Ainda na segunda temporada do clube, foi utilizada, como modelo alternativo, uma camiseta coberta de losangos. Como não encontrei nenhuma foto colorida deste modelo, preferimos não a reproduzir. Também encontrei fotos de uma camiseta no estilo carijó, mas não consegui confirmar se chegou a ser utilizada em jogo.

1993 VEC (vermelha) com Nordeste

A camiseta vermelha de 1993, originalmente, tinha o patrocínio da distribuidora de bebidas Nordeste. Na reta final do campeonato, o patrocínio foi trocado pelo da própria Lupisport.

 

À esquerda, está a camiseta branca com losangos, que optamos por não reproduzir por não termos ideia das cores. À direita, a camisa estilo carijó, que aparece nas comemorações do título de 1993, mas que não tenho certeza de que foi utilizada em jogo.

A estreia do VEC na elite do Gauchão se deu em um dos campeonatos mais sem sentido da história, que ficou conhecido como “O Interminável”, com 23 clubes jogando em turno e returno de março a dezembro. Apenas os 14 primeiros colocados manteriam-se na primeira divisão no ano seguinte. Embora tenha demorado para engrenar, o Veranópolis acabou o campeonato na 11a. posição. A temporada de 1994 deixou, ainda, alguns detalhes marcantes na vida do VEC. Decidiu-se, por exemplo, pelo uso permanente do Antônio David Farina como campo de jogo, ficando o campo da Palugana relegado a treinamentos e categorias de base. Por essa época, também, acredito que se tenha definido o uniforme branco como número 1. E, o mais importante, ao menos para a temática principal do blog, é que o VEC assume de vez o pentacolorido, com camisetas desenhadas pela Lupisport que marcaram época. Eu diria que, quando se pensa em “camiseta do Veranópolis”, são esses modelos que vêm imediatamente à cabeça.

 

Nas temporadas de 1995 e 1996, o VEC fez campanhas apenas razoáveis na primeira divisão, suficientes para a sua manutenção na elite. No mesmo período, foram obtidos bons resultados nas copas de segundo semestre, com terceiros lugares na Copa João Giuliani Filho e na Copa Daltro Menezes. Tite deixou o clube ao final da temporada de 1996 indo para o Juventude, depois de três anos e meio no VEC (ele havia passado o primeiro semestre de 1996 no Ypiranga). As camisetas utilizadas nesse período eram semelhantes às de 1994, porém agora levavam a marca Topper e o patrocínio da Dal Ponte, embora continuassem sendo produzidas pela Lupisport. Também nota-se a partir de 1995 uma discreta modificação no distintivo.

 

 

O distintivo do Veranópolis sofreu uma discreta modificação na temporada de 1995.

Entre 1997 e 1999, o VEC conseguiu algo raro para um time do interior: manteve a mesma base por três temporadas. Muito por causa disso, foram ótimas campanhas, chegando por três vezes consecutivas às semifinais do Gauchão. As eliminações ocorreram para o Internacional por duas vezes e, em 1999, para o Grêmio. Das três semifinais, a mais memorável é, sem dúvida, a primeira. Jogando por um empate no Beira-Rio, após vencer o primeiro jogo no Antônio David Farina, o VEC assistiu ao dilúvio em Porto Alegre, o que forçou o adiamento da partida para o dia seguinte. Até hoje, é crença geral na cidade que o Inter fechou a drenagem do campo do Beira-Rio para alagar o gramado. Para 1997, a camiseta branca seguiu muito parecida com a do ano anterior, com discretas modificações no patrocínio e na logomarca da Topper. Já o uniforme reserva foi completamente modificado, sendo inspirado nos modelos da Adidas da Copa de 1994, embora produzido pela Topper. O modelo azul seguiu igual ou levemente alterado (algumas fotos mostram a marca Dal Ponte um pouco diferente) no ano de 1998, enquanto a camiseta branca passa a ser Poker e tem um dos desenhos mais legais da história do clube. Em 1999, ambas as camisetas são alteradas, sendo dos mais sem graça do clube até aquele momento.

 

1998 VEC (branca)

Atualização (20/04/2019): A partir de uma foto de Vlademir Canella para o Pioneiro, publicada em 11 de maio de 1998, após o jogo Veranópolis 3 x 1 Santa Cruz, pode-se ver que o VEC utilizou um modelo inteiramente listrado naquela temporada. Na foto, percebe-se, ainda, que o distintivo e o patrocínio da Dal Ponte estão dentro de quadros brancos. Infelizmente, não é possível ver como é colocado a marca Poker na camiseta e, por isso, ainda não o reproduzimos.

1998 VEC (listrada) blog

 

As boas campanhas entre 1997 e 1999 deixaram o time mais caro, para conter despesas. Desenhou-se o cenário perfeito para que o Veranópolis entrasse numa fria em que muita gente boa se meteu: a era dos clubes-empresas. A direção da época, que tinha um contato razoavelmente próximo do empresário do ramo do futebol, Francisco Dambrós, acabou assinando um contrato com a Dambrós Sports Business. Embora, oficialmente, não tenha entregado o clube para a empresa, a influencia de Dambrós era tanta que o Veranópolis chegou a trocar o distintivo da camisa por alguns meses no começo de 2000. Como em várias outras parcerias do gênero, o “time dos sonhos” do VEC, montado com a Dambrós, não funcionou. Principalmente a partir de 2001, compromissos não foram honrados e salários atrasavam. A temporada acabou sendo de sobrevivência para o VEC, que esteve por fechar suas portas no final do ano. Os uniformes de 2000 e 2001 seguiam sendo Topper, agora com destaque para a marca Dambrós. Em 2000, as camisetas tinham gola tipo polo e o distintivo diferente.

 

Logo Veranópolis 2001

Distintivo de estética muito questionável foi usado pelo VEC por alguns meses no início de 2000.

 

Após a saída da Dambrós, o VEC passou por um período de retração, que durou algumas temporadas e que será contado no próximo final de semana.

Grande parte dos dados históricos das postagens sobre o Veranópolis vem do livro “Surgiste da Força de um Povo – A História do Veranópolis Esporte Clube”, de Luís Felipe Peracchi. Outro tanto saiu de pesquisa ao arquivo do jornal O Pioneiro.

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