As camisetas do Grêmio Esportivo São José, de Cachoeira do Sul

Com ilustrações de Evaldo Junior (www.erojkit.com)

Em Cachoeira do Sul existiam dois campeonatos de futebol não profissional adulto: o varzeano e o amador. A grande diferença era que os amadores eram federados. O Cachoeira FC, por exemplo, em muitas temporadas em que esteve licenciado da FGF como profissional, disputava o amador.

Por quase toda a sua existência, desde sua fundação em 3 de julho de 1968, o Grêmio Esportivo São José foi varzeano e, diga-se de passagem, nunca chegou a ser uma grande força no futebol local. Na verdade, o time era mais conhecido por se meter em altas confusões! Até que, em 1991, para a surpresa dos desportistas locais, a equipe migrou para um enfraquecido campeonato amador que contaria com apenas quatro equipes. No ano seguinte, decidiu-se pela não realização do campeonato municipal e o São José disputou o Estadual de Amadores, igualmente sem sucesso, mas com muita polêmica. Ao final de 1992, então, sob descrença geral da comunidade esportiva cachoeirense, começam as tratativas para profissionalizar o São José, o que viria a se concretizar.

Sedenta, depois de 14 anos sem futebol profissional, a população cachoeirense adotou o São José e levou bons públicos ao Joaquim Vidal desde seu primeiro ano, em 1993. Na primeira temporada, o clube chegou até a fase semifinal da segunda divisão (que, na verdade, eram dois quadrangulares), na qual acabou com a pior campanha. Numa segunda tentativa, em 1994, o São José fez uma campanha pior do que a da estreia. Em dois anos, o clube teve quase dez técnicos diferentes, alguns ficando no cargo por menos de um mês. Nessa época, o patrocinador principal das camisetas do clube era uma revenda FIAT chamada Eurocar. A primeira camiseta profissional do São José era um modelo padrão da Penalty, com distintivo e patrocinadores serigrafados em preto. Essa camiseta foi utilizada na campanha do Estadual de Amadores no ano anterior e na estreia profissional do São José, num amistoso em Bagé. Ainda no mesmo ano, as camisetas foram substituídas pelos modelos vermelho e branco, ainda com patrocínio da Eurocar. Para a temporada de 1994, outra revenda de automóveis, a Autovale, patrocina o clube, que passa a usar um modelo padrão da Reusch.

Em 1995, o São José quase ficou de fora, sem patrocínio. De última hora, a Eurocar volta a patrocinar o clube e são reutilizadas as camisetas de 1993 (por vezes, sem patrocínio mesmo). O São José fez, mais uma vez, uma campanha insuficiente na Segundona (na prática a terceira divisão) e foi eliminado pelo Pratense na repescagem. No final do ano, dirigentes do clube resolveram incorporar o azul às cores do clube para agradar os gremistas. Mas o ano ruim se repetiria em 1996, com requintes de crueldade: depois de ser campeão de seu grupo na primeira fase, o São José vinha se mantendo na briga na segunda fase até um jogo em casa contra o Pinheiros, de Taquari. A um minuto do final de uma vitória tranquila por 2 a 0, inacreditavelmente, o técnico do São José realizou uma quarta substituição por engano. Além de perder cinco pontos por punição, a equipe ficou desestabilizada e nunca mais venceu até o final da competição. As primeiras camisetas tricolores do São José são da marca Poker e tem patrocínio da Loja Olímpica. Na mesma época, o distintivo do São José passa por um aperfeiçoamento (o utilizado até então era um pouco tosco, com uma bola de futebol que lembra muito uma roda de charrete).

Com excelente campanha, tendo apenas uma derrota em 16 jogos, o São José conquistou seu primeiro título na Segundona de 1997, sendo promovido à Série B (a Série B era uma segunda divisão em que os dois melhores clubes disputavam as finais junto com os seis melhores da Série A, que era a primeira divisão propriamente dita). A camiseta utilizada pela equipe campeã era um modelo bem diferente, com uma faixa diagonal azul. É possível que o São José não tenha utilizado um uniforme alternativo durante toda a temporada de 1997. O patrocínio das Lojas Kasarão varia um pouco ao longo do ano, sendo, em algum momento, colocado na horizontal. Entre 1998 e 2001, o São José alternou campanhas razoáveis com campanhas muito ruins na segunda divisão. Em 2000, chegou a disputar o quadrangular final (via repescagem), embora tenha sido o saco de pancadas da fase. No ano seguinte, o São José fez a pior campanha do torneio, mas não houve rebaixamento. Na temporada de 1998, para a Copa Abílio dos Reis, o São José teve patrocínio da AES Sul e usou uma camiseta branca com detalhes vermelhos e azuis nas mangas (não conseguimos reproduzir esse modelo, pois não encontrei fotos com um mínimo de qualidade). Em 1999, finalmente, o distintivo é reestilizado e começa a era Big Bingo no clube. Foram usadas camisetas azuis e camisetas vermelhas, produzidas pela Placar, e uma camiseta branca, fabricada pela Redegol. Infelizmente, desconheço as camisetas de 2000 e 2001 do São José.

O ano de 2002 foi memorável para o clube, apesar de, inicialmente, parecer fadado ao fracasso mais uma vez. Na quarta rodada da primeira fase, a equipe cachoeirense ainda não havia vencido e empatava sem gols com o Lajeadense, no Vale do Taquari. Após a expulsão de quatro jogadores, aos 28 do segundo tempo, o São José forçou um cai-cai e a FGF atribuiu mais uma derrota à equipe. Com a humilhação, no entanto, a equipe parece ter acordado e venceu cinco dos seis jogos restantes, acabando como campeão do grupo. Na segunda fase, o time deu, novamente, poucas esperanças ao torcedor, classificando-se para o hexagonal apenas como o melhor terceiro colocado da segunda fase. A fase final foi extremamente equilibrada: na última rodada, quatro times poderiam ser campeões e apenas um não tinha mais chances de acesso. Com um empate em um gol contra o Bagé, na Princesa da Fronteira, e uma derrota do Brasil para o Avenida, em Pelotas, o São José faturou o título da Divisão de Acesso. Com isso, depois de 23 anos, Cachoeira do Sul voltava à elite do futebol gaúcho.

A evolução do distintivo das camisetas do São José ao longo da era profissional.

Na estreia do São José na primeira divisão, o campeonato era dividido em dois grupos. Um deles contava apenas com as duplas Grenal e Caju, enquanto o São José estava noutro grupo com outras 13 equipes. De cada grupo, saiam duas equipes para a disputa das semifinais. O tricolor de Cachoeira fez boa campanha, encerrando o campeonato na quinta colocação, a apenas quatro pontos da zona de classificação. Nas temporadas de 2002 e 2003, o São José manteve as parcerias com a fabricante de material esportivo local Tiello e com o Big Bingo. A camiseta titular branca foi do mesmo modelo nas duas temporadas, apenas com a inclusão da metalúrgica Geguton nas mangas para 2003. A camiseta reserva azul, por outro lado, foi bem modificada de 2002 para 2003. A camiseta azul de 2003 começou a temporada com o logo do Big Bingo bem pequeno, em amarelo, e sem o Geguton nas mangas, sendo alterada ao longo do ano. Também a partir de 2003, muitas vezes, a camiseta do São José passa a contar com duas estrelas amarelas acima do distintivo.

Embora nunca mais tenha repetido a boa campanha do primeiro ano, o São José manteve-se na primeira divisão até 2007, quando foi rebaixado para a Divisão de Acesso. Ainda em 2006, num ano de regulamento confuso, em que o rebaixamento era definido num campeonato complementar (Copa Emídio Perondi), o tricolor havia se salvado apenas no saldo de gols. Quanto aos uniformes, seguindo uma tendência estadual, os fabricantes foram a farroupilhense Clas’sport, a ivotiense ASA e a tresmaiense Squema, respectivamente, em 2004, 2005 e 2006. Com os uniformes da ASA, o São José teve uma de suas passagens mais marcantes na primeira divisão, quando, no Joaquim Vidal, derrotou o Grêmio, de virada, por 2 a 1. Curiosamente, neste jogo, foram utilizadas as camisetas titulares no primeiro tempo e as reservas no segundo. Aliás, elas eram tão semelhantes que, possivelmente, tenham causado alguma confusão ao longo da competição. Para 2006, a grande alteração foi, com a proibição dos bingos no país, a perda do patrocínio principal da equipe.

No último ano do clube na primeira divisão e na volta para a Divisão de Acesso, os uniformes foram, mais uma vez, produzidos pela Tiello. De volta para a Divisão de Acesso, o São José não realizou boa campanha (assim como o Cachoeira, com quem dividiu grupo). Na segunda divisão, os patrocínios sumiram da camisa. Ao final do campeonato, o São José se licenciou. Por sinal, melancolicamente, as duas equipes cachoeirenses se afastaram dos gramados ao término da temporada.

Agradeço ao Jornal do Povo pela liberação de seus arquivos para consulta, em especial a Dionatan Netto. E ao amigo Luis Claudio Martins Pedroso, que me forneceu valiosíssimas informações sobre o futebol cachoeirense.

Para esta postagem, usei também o  livro “Futebol Cachoeirense – 50 Anos de História”, de Jacy Oliveira da Rosa, editado pela Sul Cultura em 1997.

 

5 comentários sobre “As camisetas do Grêmio Esportivo São José, de Cachoeira do Sul

    1. lreissouza disse:

      Eu não sei se não é só nostalgia de quem era pré-adolescente no começo dos anos 90. Eu também gosto muito. Essa Poker branca do São José tem um padrão totalmente sem sentido. É muita psicodelia.

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