As camisetas do Sport Club Rio Grande, de Rio Grande

Com ilustrações de Evaldo Júnior (www.erojkit.com)

Acredita-se que, por pelo menos dois anos antes da formação do clube propriamente dito, em 19 de julho de 1900, os fundadores do Rio Grande já jogassem bola entre eles na cidade, evidentemente por influência dos europeus, principalmente ingleses, que chegavam ao porto da cidade com as novidades. Obviamente, para um time fundado em 1900 não devia ser fácil arrumar adversários. Então, quando a tripulação de um novo navio não era desafiada, os jogos eram realizados entre os membros do clube, divididos em duas equipes. Assim, o Rio Grande levou, ainda em 1901, o futebol à cidade de Pelotas.

Depois, em setembro de 1903, uma grande delegação do Rio Grande veio à Porto Alegre, a bordo do vapor Aymoré, para apresentar o novo esporte à Capital de Todos os Gaúchos. A excursão, diga-se de passagem, movimentou intensamente a sociedade portoalegrense, especialmente os desportistas. Os clubes de regatas, com seus barcos, recepcionaram e escoltaram os riograndinos em sua chegada; a Blitz exibiu um programa de ciclismo; a Sociedade Germania e a Turner-Bund ofereceram grandes bailes. Mas o grande evento foi o jogo de futebol, marcado para o Campo da Redenção, no dia 7 de setembro. Num belo dia de sol, sem uma nuvem sequer no céu, em torno de mil e quinhentas pessoas foram assistir a exibição do Rio Grande, vencida pelo time de camisas brancas por 2 a 0. Para que se tenha uma noção do quanto a visita do veterano clube foi absorvida por Porto Alegre, basta que se perceba que, na semana seguinte, em 15 de setembro, os dois primeiros clubes de futebol da cidade foram fundados: o Grêmio FBPA e o FBC Porto Alegre.

Com o surgimento de outras equipes em Rio Grande, como o SC São Paulo, em 1908, e o FBC Rio-Grandense, em 1909, logo o futebol riograndino se desenvolveu. Em sua história, o Rio Grande conquistou 17 títulos municipais. Em 1922, o Governo do Estado promoveu um torneio em Porto Alegre, em homenagem ao centenário da Independência, sendo convidados, além do Rio Grande, o Riograndense de Santa Maria e os portoalegrenses Grêmio e Ruy Barbosa. O torneio foi vencido com amplo domínio pelo vovô, sendo o título conquistado após uma indiscutível vitória frente ao Grêmio por 4 a 1.

Em 1935, um grande incêndio no pavilhão colocou em risco o futuro do clube, mas, em verdade, acabou por marcar o início de uma das melhores fases do veterano. Por algum tempo, o Rio Grande utilizou o campo do General Osório, equipe militar extinta ainda naquela década. No ano seguinte, o clube sobrou no campeonato municipal e, depois, eliminou o Vitoriense e o Regimento (então atual campeão estadual) para vencer a região litoral e garantir vaga nas finais estaduais. Nas semifinais, o Rio Grande eliminou o Novo Hamburgo, com alguma facilidade, credenciando-se para a grande final, em melhor de três jogos, contra o Internacional, campeão portoalegrense, no Estádio da Timbaúva. Com vitórias por 3 a 2 e 2 a 0, nas duas primeiras partidas, o Rio Grande conquistou o maior título da sua história (e segundo título estadual da cidade do Rio Grande, já que o São Paulo havia vencido em 1933). O Rio Grande ainda voltaria às finais estaduais em 1941, quando foi massacrado pelo mesmo Internacional, por 9 a 2 e 6 a 2.

Na reorganização do campeonato estadual, em 1961, o representante riograndino na primeira divisão acabou sendo o Rio-Grandense, campeão daquele ano. Já na temporada seguinte, no entanto, o Rio Grande foi campeão estadual da Divisão de Acesso, ao derrotar o Atlântico nas finais. No chamado Torneio da Morte, disputado contra o último colocado da elite, na Boca do Lobo, o Rio Grande venceu o São José, por 3 a 2 e garantiu presença na primeira divisão em 1963. O Gauchão de 1963, por sinal, viu a melhor campanha da era moderna do Rio Grande, que encerrou o campeonato na quinta colocação. No ano seguinte, entretanto, os resultados não se repetiram e a última colocação obrigou a equipe a disputar, novamente, o Torneio da Morte, dessa vez em busca da permanência na elite, que foi conquistada com uma vitória sobre o Bagé. Depois disso, o Rio Grande manteve-se com campanhas de meio de tabela, até a péssima temporada de 1969, quando terminou em último e foi rebaixado (o Torneio da Morte havia sido extinto em 1966).

O Rio Grande iniciou a década 1960 com clássicas camisetas com gola tipo polo. O modelo titular, tradicionalíssimo, tinha gola e barra das mangas em amarelo e as listras verticais verdes e vermelhas separadas por listras amarelas mais estreitas. Por vezes, encontram-se fotos deste uniforme com a bola do distintivo invertida, com o ponto da bola virada para o lado esquerdo da camiseta. Já a camiseta branca, tinha elegantes listras nas três cores do clube em ambas as mangas. Na segunda metade da década, as camisetas brancas passam a ter gola em V e três listras grossas, nas cores do clube, na parte da frente. Por outro lado, a camiseta titular segue com gola tipo polo, porém de cor vermelha, com padrão bem diferente de listras: as listras ficam da mesma largura, sendo uma listra verde no centro, ladeada por listras vermelhas, depois amarelas e, depois, novamente vermelhas.

Em 1971, o Rio Grande disputaria a elite estadual pela última vez em quase 30 anos, conquistando apenas duas vitórias em 24 jogos. Nas comemorações dos 75 anos, é lançada uma camiseta amarela, que seria utilizada, ainda, em algumas temporadas subsequentes. Por volta da mesma época, o Rio Grande volta a utilizar uma camiseta com padrão de listras diferentes (todas do mesmo tamanho e sempre na ordem vermelho-verde-amarelo) e gola verde. Chama a atenção nesta camiseta que o distintivo tem a moldura da bola em amarelo, algo que aconteceria outras vezes, principalmente nos anos 1990. No final dos anos 1970, o Rio Grande passa a utilizar um modelo com gola V que seria muito semelhante aos utilizados ao longo da década seguinte.

A virada desta década é das eras menos bem documentadas fotograficamente do decano de nosso futebol. Em 1986 e 1987, porém, a camiseta titular é muito semelhante à do final dos anos 1970, mas com distintivo bem pequeno. Em 1988, pela última vez até agora, o Rio Grande utiliza uma ordem diferente de cores na camiseta titular, também muito semelhante à utilizada na década anterior. A única camiseta reserva que consegui identificar é a de 1989-1990, fabricada pela blumenauense Taeschner e já com o tradicional patrocínio Neca Esporte, que seria estampado nas camisetas do Rio Grande por boa parte dos anos 1990.

Em 1993, fato raro, o Rio Grande utiliza camisetas inteiramente vermelhas. A partir do meio da década, os uniformes do clube passam a ser produzidos pela empresa Vilas, de Viamão. Com exceção das camisetas titulares utilizadas em 1996, que tinham as listras irregulares e foram as últimas patrocinadas pela Neca Esporte, na segunda metade da década as camisetas do Rio Grande sofrem apenas alterações bem discretas, especialmente nas golas. As camisetas titulares desta época tem a moldura do distintivo em amarelo. O amarelo das camisetas produzidas pela Vilas, eventualmente, não era tão vivo quanto o tradicional do Rio Grande, puxando um pouco para o laranja.

No ano do centenário, o Rio Grande foi convidado a participar do Gauchão da primeira divisão, embora disputasse a Segundona da época. Apesar de não ter feito uma campanha muito ruim, o proposto era que o clube só permanecesse na elite no ano seguinte em caso de título, o que esteve longe de acontecer. Os modelos do centenário foram os últimos fabricados pela Vilas e apresentam algumas variações nas golas, no patrocínio da Vilas (com e sem moldura vermelha) e na localização do logotipo do centenário (na branca, aparece ou embaixo do distintivo ou do lado direito do peito).

Na primeira metade dos anos 2000, assim como ocorreu com outros clubes do interior, o Rio Grande passa a utilizar material esportivo produzido em Farroupilha, pela Clas’sport. Certamente, desta época, faltam muitos modelos a serem catalogados e aqui são expostos apenas os modelos reserva de 2004 e titular de 2006.

As camisetas do final dos anos 2000 do Rio Grande são muito parecidas. Em 2006 e 2007, a camiseta branca era um modelo produzido pela catarinense Placar. A partir de 2008, as camisetas titular e reserva passam a ser produzidas pela Dal Ponte. O modelo titular fica predominantemente amarelo, com listras finas verdes e vermelhas, enquanto o modelo reserva é quase inteiramente branco. Ambas têm distintivo no centro do peito. A camiseta amarela de mangas longas chegou a ser utilizada tão tardiamente quanto 2014. Em determinado momento, um modelo idêntico da camiseta amarela chegou a ser produzido pela Dresch, mas não sei em qual temporada ele foi utilizado (acredito que 2010).

Em 2011, assim como a imensa maioria dos clubes do interior, o Rio Grande usou Mega Sport, a partir de um convênio da empresa com a FGF. Em determinado momento da temporada, as camisetas tiveram patrocínio do Banrisul e, posteriormente, dos Postos Buffon, abaixo do Banrisul (ou até sem o Banrisul).

Já no ano seguinte, o clube passa a utilizar material esportivo produzido pela Squema Sports, o que duraria até o início de 2015. Em 2014, porém, o patrocínio da SEI Imobiliária foi coberto por um grande patrocínio do Residencial Parque do Lago (pintado na camiseta listrada e costurado na camiseta branca). Ainda naquela temporada, que marcou a subida do veterano para a divisão de acesso com o título da Segundona, foi utilizada, devido à parceria com a WBA, uma camiseta Nike amarela, bastante descaracterizada.

Nestas duas fotos de 2014 se vê, claramente, o patrocínio do Parque do Lago sobre o da SEI Imobiliária (pintado na listrada e costurado na branca).

2014 amarela

A partir de 2015 (ano de novo rebaixamento para a Segundona), o Rio Grande começa a utilizar material esportivo da goiana Super Bolla. Até 2016, as camisetas têm gola em V e detalhes rajados no canto inferior direito da parte da frente da camiseta. Nessa época, o patrocínio principal é do empreedimento Campos da Barra.

Em 2017, apenas a camiseta titular segue sendo produzida pela Super Bolla, agora com gola do tipo polo e patrocínio principal da Yara. Não é difícil de se encontrar fotos desta temporada que mostram o logo da Super Bolla desgrudando das camisetas. Já a camiseta branca, utilizada algumas poucas vezes, leva do lado direito do peito o logotipo da Paumar (que gerenciou o departamento de futebol do clube por algumas temporadas) e tem, no abdômen, um dragão em homenagem à mais antiga torcida organizada do clube, os Dragões da Mangueira, fundada em 13 de maio de 1979.

2017 sc rio grande (tricolor) yara

Uma foto bem ilustrativa, com o Super Bolla da camiseta já quase completamente desgrudado, apesar de ainda ser a temporada de 2017.

Em 2018, é lançada uma camiseta em homenagem à camiseta de 1975, que foi utilizada em praticamente todos os jogos da temporada, exceto em dois momentos: na pré-temporada, quando o Rio Grande utilizou camisetas fabricadas pela Mega Sport (confeccionadas para a base, no começo dos anos 2010), e em jogo contra o Guarany de Bagé pela Segundona, quando utilizou as camisetas da Super Bolla, listradas, do ano anterior.

2018 amarela

2018 sc rio grande (tricolor) - camiseta da mega, acho que é antiga - reaproveitada em amistoso

As camisetas da Mega Sport, com patrocínio da Petrobrás, foram produzidas para a base, no começo dos anos 2010, mas acabaram sendo utilizadas pela equipe principal em amistosos da pré-temporada de 2018.

Para concluir este artigo sobre as camisetas do Sport Club Rio Grande, eu contei com o inestimável auxílio de Flávio Jair N. Lopes. As fotos foram retiradas das comunidades do Vovô no Facebook. Informações históricas sobre a primeira excursão do Rio Grande a Porto Alegre são do jornal A Federação.

Acervo do 1PMFG

Chaveiro comemora os títulos de 1936 e 1962 e exibe o “Mais Antigo do Brasil”.

A camiseta reserva das temporadas de 1989 e 1990 era fabricada em Santa Catarina.

Esta camiseta da Vilas é a última com patrocínio Neca Esporte. Apesar das listras não convencionais, simpatizo com ela. A etiqueta ainda tem o símbolo do triângulo da malharia viamonense. Provavelmente, foi usada entre 1995 e 1996.

O modelo reserva do centenário. Algumas dessas camisetas têm o logo dos 100 anos do lado direito, o Vilas escrito em vermelho sem a moldura e a gola diferente.

Desconheço a origem desta camiseta. Não sei quando e como ela foi utilizada, mas acredito que seja um modelo das categorias de base.

Esta é a camiseta produzida pela Dresch, idêntica ao modelo da Dal Ponte. A camiseta do acervo, quase com absoluta certeza, é de loja.

Essa é fácil de saber que foi produzida para a temporada de 2006 devido ao patrocínio da TVCom.

O mesmo modelo de camiseta anterior, produzido pela Placar, porém, provavelmente, utilizado na temporada de 2007.

As camisetas da Mega Sport fabricadas para a temporada de 2011 apresentam algumas variações nos patrocinadores: algumas tem Banrisul e Buffon, outras tem um ou outro patrocínio.

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