As camisetas da Sociedade Esportiva São Borja, de São Borja

Agora, ficou mais fácil acessar o Um Pequeno Museu do Futebol Gaúcho. Nosso novo domínio é muito mais simples: 1PMFG.com.

O artigo de hoje é sobre a Sociedade Esportiva São Borja e, evidentemente, tem ilustrações de Evaldo Junior, do erojkit.com.

Com informações de Sérgio Rampanelli e da revista São Borja – Anos de Glória.

E um agradecimento especial ao RW, do Corneta do RW, pela divulgação.

Ao longo dos anos 1970, o Sport Club Internacional, de São Borja, passou a frequentar a elite do futebol gaúcho consistentemente, montando boas equipes. No entanto, o seu estádio, o General Vargas, era pequeno e sem iluminação. Por outro lado, seu grande rival, o Esporte Clube Cruzeiro, havia firmado uma parceria com a prefeitura e estava investindo tudo o que tinha na construção de um novo estádio para 15.000 pessoas, que se chamaria Vicente Goulart, mas tinha escassez de recursos para montar um bom time de futebol.

Antes da temporada de 1977, a FGF havia decidido que times que não tivessem estádios com iluminação, como o Internacional seriam excluídos da elite. Depois, a regra mudou e qualquer time que tivesse estádio com iluminação poderia participar da primeira divisão, o que inflou o campeonato para 24 times. Seguindo uma tendência que se espalhava pelo estado, com o objetivo de resolver os problemas dos dois clubes, Silberto Grustmacher e Edom Azambuja, presidentes de Inter e Cruzeiro, respectivamente, propuseram a fusão dos dois rivais. Assim, em 14 de janeiro de 1977, foi criada a Sociedade Esportiva São Borja, usando, do Inter, o vermelho e o bom time de futebol e, do Cruzeiro, o azul e o novo e iluminado estádio Vicente Goulart.

Nas primeiras temporadas, o bugre missioneiro usou, como uniforme titular, a tradicional camisa listrada em vermelho e azul, que pouco mudou de 1977 até o final dos anos 1980, exceto por alterações discretas no distintivo e a inclusão eventual de algum patrocinador. Já como camiseta reserva, a SE São Borja reaproveitou, inicialmente, as últimas camisetas brancas do Internacional, apenas trocando o distintivo. Inicialmente, o distintivo das camisetas tinha fundo vermelho e as letras, a cruz e o círculo eram bordados em branco.

Na virada dos anos 70 para os anos 80, as antigas camisetas reservas do Inter foram aposentadas e deram lugar à tradicional camiseta branca com listras horizontais, que acabariam se tornando o modelo titular da SE São Borja. Não tive como confirmar essa informação, mas acredito que a primeira camiseta nesse estilo tinha três listras ao invés de duas.

1980 São Borja (branco)

O começo da década de 1980 foram os melhores anos da SE São Borja. Ainda em 1980, o time ficou em quinto lugar no Gauchão, o que lhe valeria, por regulamento, uma vaga na Taça de Prata (na época, os estaduais serviam de torneio classificatório para o Brasileiro, sendo que a Taça de Prata equivale, hoje, à Série B). No entanto, uma manobra da CBF para favorecer a SE Palmeiras, colocou o São Paulo como último representante gaúcho no certame. (Esta era a alegação da CBF: Uma equipe não poderia estar na primeira divisão numa temporada e na terceira divisão na temporada seguinte. Em 1980, o Palmeiras estava na primeira divisão, mas não obteve classificação nem mesmo para a segunda divisão em 1981. O único outro clube na mesma situação em todo o Brasil era o São Paulo, de Rio Grande. Com isso, o São Borja acabou pagando o pato.)

Com isso, o São Borja foi obrigado a disputar, ainda, em 1981, uma seletiva para a Taça de Bronze, que acabou sendo o primeiro título do clube, derrotando GE Brasil, Guarany FC, SER Caxias e EC Juventude. Nessa época, as camisetas do bugre já eram ambas de seus modelos mais tradicionais e tinham o distintivo com fundo azul e bordados em vermelho. Na Taça de Bronze, os missioneiros não fizeram feio, chegando até o triangular semifinal, do qual o primeiro colocado era classificado à final. Num grupo com Olaria e Dom Bosco, todos terminaram com a mesma pontuação, mas o São Borja foi eliminado por ter uma vitória a menos do que o Olaria, que acabaria sendo o campeão do torneio. O jogo contra o Olaria, no Rio de Janeiro, por sinal, foi a primeira vez em que uma equipe do interior gaúcho jogou no Maracanã, fazendo a preliminar de Vasco e Fluminense.

Em 1982, utilizando as mesmas camisetas do ano anterior, o Bugre venceu o Torneio Incentivo, com um jovem elenco de 19 jogadores, sendo 17 oriundos das categorias de base do clube. As finais foram contra o Juventude, sendo que dois resultados iguais (2 a 0 em São Borja e 0 a 2 em Caxias) levaram a decisão para um jogo extra em Santa Maria, vencido por 3 a 2 pelo São Borja. Para o ano seguinte, a camiseta branca sofre discretas alterações no formato da gola e no distintivo, que passa a ter as letras e a cruz bordadas em branco. Com esta camiseta, o São Borja bateu o Grêmio, com time titular, às vésperas do Mundial Interclubes, com um gol aos 44 do segundo tempo, no Vicentão, praticamente garantindo o título gaúcho do Inter.

1983 São Borja (branco)

Em 1984, os distintivos bordados começam a sair de cena, dando lugar aos serigrafados. A camiseta branca ganha listras diagonais pela primeira e única vez na história do clube.

No ano seguinte, o São Borja vence seu último título, a Copa ACEG. Nessa época, a cidade já começava a sentir a crise do setor agropecuário, que se refletia diretamente no clube. A participação na Copa foi viabilizada a partir da rifa de um Chevrolet Monza. A classificação do Bugre para as finais só foi possível graças a inversão do resultado na justiça de uma derrota contra o Gaúcho, ainda na primeira rodada. Nas finais, o São Borja perdeu em casa para o Novo Hamburgo, mas buscou a virada no segundo jogo no Santa Rosa e foi campeão na decisão por pênaltis. Durante o ano, o Bugre voltou a usar distintivos bordados e diferentes entre os uniformes titular e reserva. Embora não tenha encontrado registros fotográficos desses modelos em temporadas anteriores, pelo padrão da confecção, é possível que fossem camisetas mais antigas sendo reaproveitadas.

Nas temporadas de 1986 e 1987, o São Borja começa a sofrer mais intensamente a crise financeira que assolava os clubes do interior, gerando pouca capacidade de investimento e atrasos salariais constantes, culminando com o rebaixamento da equipe ao final de 1987.

Pela primeira vez atuando no segundo escalão do futebol gaúcho, o São Borja passa a ser patrocinado por uma arrozeira. Infelizmente, pelas fotos, eu não consegui decifrar a marca do arroz. Por isso, ficamos devendo essa reprodução até que alguém consiga nos elucidar o caso.

1988 SE São Borja (listrada)

Depois do arroz e de passar a temporada de 1989 afastado do futebol, o São Borja recebeu a marca Skol nas camisetas (as mesmas de temporadas anteriores, apenas com a aplicação do patrocínio). Acredito que o patrocínio fosse de uma distribuidora de bebidas da região e não da cervejaria em si.

Antes do melhor estabelecimento da era digital, os times da divisão de acesso ou da segundona eram muito menos fotografados e, por vezes, é bem difícil precisar a temporada de cada camiseta. De qualquer forma, provavelmente, entre 1992 e 1997 A camiseta branca tenha apresentado apenas sensíveis mudanças.

Por outro lado, o modelo listrado foi sofrendo alterações com maior frequência. Em 1992, se usou um modelo com mangas brancas. Na temporada seguinte, um modelo com padrão semelhante aos das brancas da mesma época. Depois, em meados dos anos 1990, entram os modelos da Penalty, que provavelmente foram comprados prontos na loja Só Esporte e tiveram o distintivo da SE São Borja aplicado. E, finalmente, uma camiseta da Poker, com listras bem mais finas e azul bem mais escuro do que o tradicional.

Com a redistribuição do Gauchão por séries, o São Borja acabou ficando na Segundona (que, na prática, era a Terceira Divisão). Em 1997, o São Borja ganhou uma sobrevida com o licenciamento de Atlético de Carazinho e Aimoré, que disputavam a Série B, sendo promovido automaticamente. A temporada, no entanto, foi um fracasso e o Bugre terminou na última colocação. Com o rebaixamento, foi mais uma vez encerrada a atividade profissional no clube.

Em 2009, um novo clube, a Associação Esportiva São Borja, é criado, em princípio apenas com categorias de base. Alguns anos depois, em 2012, o novo clube foi profissionalizado para a disputa da Terceirona, sem sucesso. O velho São Borja tentaria um retorno em 2016, disputando a Segundona, com camisetas fabricadas pela Drággon, de Sarandi. Na ocasião a equipe optou por utilizar apenas jogadores da região. Ao final da temporada, com uma péssima campanha, o Bugre mais uma vez encerrou as atividades profissionais.

A recente história da Associação Esportiva São Borja, que retornou ao futebol profissional, com mais sucesso, em 2018, está em artigo a parte.

Com informações de Sérgio Rampanelli e da revista São Borja – Anos de Glória.

2 comentários sobre “As camisetas da Sociedade Esportiva São Borja, de São Borja

  1. Sergio Rampanelli disse:

    a aesb e outro clube
    a sociedade esportiva são Borja tem cnpj separado e ativo e em 2016 disputou com este nome e é detentora do estádio comprovado em matrícula no cartório.

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