Quinta-feira da Flâmula – Edição 1

Antes de iniciar o post propriamente dito, gostaria anunciar que, em menos de 20 dias, passamos de 500 acessos, o que eu considero um grande sucesso de público.

Mas vamos à inauguração da “Quinta-Feira da Flâmula”:

Há muito as flâmulas perderam a popularidade. Não sei o motivo. Acho que isso deveria ser corrigido. As flâmulas têm origem nas bandeiras náuticas e, em geral, são triangulares. Eu tinha a impressão de que flâmula e galhardete não eram a mesma coisa. Achava que galhardete eram aquelas bandeirinhas não triangulares, normalmente felpudas e sempre penduradas na vertical. Mas eu estava enganado. As palavras são sinônimas.

Em meados do século passado, as flâmulas se popularizaram como propaganda. Toda empresa tinha as suas para distribuir entre os clientes. Políticos frequentemente às utilizavam nas campanhas. Elas também serviam como lembrança de viagens, formaturas e eventos em geral. Meu sogro diz que, quando criança nos anos 1960, escrevia, diretamente de Teutônia, cartas para todas as empresas que pudesse conseguir os endereços, pedindo flâmulas para a coleção. Ele estima que era bem sucedido em pelo menos uma em cada cinco tentativas. Hoje, eu tenho certeza de que seria bem menos. Quanto à propaganda institucional, tenho a impressão de que, a partir dos anos 1970, as flâmulas deram lugar aos chaveiros, que depois foram substituídos por alguma outra coisa.

No futebol, as flâmulas tiveram dois caminhos. Um deles, o das flâmulas oficiais, trocadas pelos capitães antes do jogo em sinal de respeito, que esteve um pouco em crise, mas hoje segue fazendo parte do cerimonial de qualquer competição importante internacional, pelo menos. Por outro lado, as chamadas flâmulas de torcedor ou flâmulas comemorativas são hoje muito pouco procuradas. Para se ter uma ideia do quão populares elas eram nos anos 1950 e 1960, o Inter chegou a ter um atelier próprio para confecção de flâmulas. PPM, Casa da Flâmula, Real Flâmulas, Flamatex, Flâmulas Gaúcha, King Publicidade, Minuano, Art-Cor, Mundial Propaganda, Seriarte, Rainha dos Pampas, Estandarte, Fla Sul e Bandeirin Conceição eram alguns dos muitos fabricantes de flâmulas espalhados pelo estado.

Fica instituída, assim, a Quinta-Feira da Flâmula (sempre a última de cada mês) e a primeira postagem é de uma série de flâmulas de feltro e bordas serrilhadas das quais desconheço os fabricantes. Esse tipo de flâmula foi bem popular no país na passagem dos anos 1940 para os anos 1950. Já as vi de times de futebol de todo o Brasil, além de outras mais variadas temáticas que não o futebol. As cinco selecionadas de hoje são de equipes de Porto Alegre e, com certeza, não compõem a mesma série (e talvez nem sejam do mesmo fabricante), já que apresentam algumas pequenas diferenças de confecção.

Das cinco equipes mostradas aqui, apenas uma delas ainda está ativa, o Esporte Clube Cruzeiro, que foi rebaixado para a Divisão de Acesso do Gauchão em 2018. As demais, todas equipes operárias, encerraram as atividades (pelo menos profissionais) na segunda metade da década de 1950. O Grêmio Esportivo Renner, fundado em 27 de julho de 1931 por funcionários da AJ Renner, foi campeão gaúcho de 1954 e teve o departamento de futebol fechado em 1958 por ser deficitário à empresa. O Nacional Atlético Clube, fundado em 16 de abril de 1937 como Departamento Desportivo da Viação Férrea, abandonou os gramados pouco tempo depois do Renner, em 1959. Já o Grêmio Esportivo Força e Luz foi fundado em 8 de setembro de 1921 por funcionários da Carris e da Companhia de Energia Elétrica. O Força e Luz era o dono do Estádio da Timbaúva, ainda parcialmente de pé, e encerrou suas atividades no futebol profissional mais ou menos na mesma época de Renner e Nacional. Ainda tentaria um retorno em 1972 para a disputa da Copa do Governador e da Segundona Gaúcha, sem sucesso. Existiu como clube social e, eventualmente, equipe amadora até 2006. O Esporte Clube Corinthians Porto Alegrense era o próprio Força e Luz, patrocinado pelo homônimo paulista, entre 1948 e 1951. Um detalhe interessante é que há um erro na data de fundação na flâmula do Corinthians. O correto seria 1921 (a data de fundação do Força e Luz). Na época das flâmulas, todas essas equipes disputavam o Campeonato Profissional de Porto Alegre.

No próximo final de semana: Já está no forno a postagem do próximo domingo, com a história das camisetas de uma tradicional agremiação da região missioneira. Aguardem!

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