As camisetas do Esporte Clube Cruzeiro, de Porto Alegre (Parte 1)

Com ilustrações de Evaldo Júnior (www.erojkit.com).

A postagem que abre o blog é sobre o Esporte Clube Cruzeiro, fundado em 14 de julho de 1913. O Estrelado foi um dos muitos clubes de futebol a habitarem o Caminho do Meio e a Estrada do Mato Grosso (hoje Av. Bento Gonçalves), nos seus primeiros anos, até fixar residência no saudoso Estádio da Montanha em 1941. Já tendo vencido o Campeonato de Porto Alegre em 1918 e 1921, o Cruzeiro voltou a repetir o feito em 1929, quando conquistou, também o Campeonato Gaúcho, pela primeira e única vez na sua história.

Na Montanha, também conhecida como Colina Melancólica, o Cruzeiro, provavelmente, viveu seus melhores anos. De lá, partiu para duas excursões na Europa: a primeira, em 1953, e a segunda, já com bem menos pompa, em 1960. Nesse período, também participou da reorganização do Campeonato Gaúcho, em 1961, e, frequentemente, foi rival a altura para a dupla Grenal.

Daqui, começamos a história das camisetas do Leão da Montanha. Depois da segunda excursão à Europa, a equipe cruzeirista estreou novos uniformes. Durante o começo dos anos 1960, se usou prioritariamente uma camisa branca, com botões, o que faz do Cruzeiro, provavelmente, um dos últimos times de futebol profissional a usarem camisas com botões. A imprensa esportiva apelidou o uniforme de “jaqueta merengue”. Essa camiseta foi usada com muita frequência até a temporada de 1962. Já o tradicional uniforme listrado, na temporada de 1961, era o mesmo tipicamente usado nos anos 1950, com gola do tipo polo.

08-09-1961 Jornal do Dia Estreia camiseta branca Cruzeiro

Reportagem do Jornal do Dia destacando a “jaqueta merengue” do Cruzeiro.

Correção (24/03/2019): Por acaso, fiz uma descoberta num Diário de Notícias de 1962. Uma foto do Raul Tagliari bebendo um refrigerante permite que se veja com um pouco mais de clareza o distintivo da camiseta branca. Eu, pessoalmente, nunca havia visto esse distintivo, com as iniciais do clube no lugar das estrelas. Fiquei com um pouco de dúvida se está escrito ECC ou SCC. Pela época, acredito que ainda seja SCC. Segue, então, um distintivo que, acredito, seja inédito:

Correção Distintivo 61 Raul Tagliari

 

É ECC ou SCC?

 

Atualização (01/09/2019): A partir de fotos da Folha da Tarde Esportiva, pode-se perceber que o Cruzeiro usou camisetas listradas na horizontal, eventualmente, em 1961.

A camiseta listrada também seguiu sendo usada em 1962, mas, nesta temporada, surge, algumas vezes uma camiseta diferente, sem gola polo, com listras mais largas e azul mais claro. Algo comum na história do clube, este modelo tem o distintivo com as cores invertidas. Pelas fotos, a camiseta parece de uma qualidade muito baixa de confecção.

1962 Azul clara

Para a temporada de 1963, o Cruzeiro aposenta as golas do tipo polo (não definitivamente) e passa a usar dois modelos bem modernos, que seriam usados até 1965.

 

Ao final da temporada de 1965, o Cruzeiro fica em último lugar na elite do Gauchão. Com isso, foi obrigado a disputar, já no final de março do ano seguinte, o chamado Torneio da Morte, contra o FBC Rio-Grandense. Após perder em Rio Grande e não conseguir vencer em Porto Alegre, o Cruzeiro é obrigado a disputar o acesso na temporada de 1966 e atravessa sua primeira grande crise da história. Para a pesquisa, a importância disso é que, na segunda divisão, o Cruzeiro passa a ser bem menos fotografado. Em 1966, o Cruzeiro volta a usar camisetas com a gola do tipo polo, tanto no modelo listrado tradicional, quanto no modelo alternativo branco. Chama a atenção que a camiseta listrada, em comparação com a do começo dos anos 1960, agora tem gola branca.

Em 1968, com a desculpa do cinquentenário da Federação, o campeonato da elite é inflado de 12 para 18 clubes, sendo o estrelado um dos clubes promovidos na “virada de mesa”. Na volta à primeira divisão, o Cruzeiro segue usando as mesmas camisetas, mas começam a aparecer os modelos com gola redonda e de cor única, que seriam características da troca de década do clube.

 

As camisetas com gola redonda seriam usadas até 1973. Mas, nesse meio tempo, surgem também duas camisas com gola V, que, pelo menos nos tempos modernos, são as primeiras a usarem as estrelas soltas, sem o distintivo. A camiseta branca com a faixa azul foi utilizada na final da Copa do Governador de 1970 e é uma das camisetas mais clássicas do clube, tendo sido reeditada na temporada de 2017.

 

Nesse período, os resultados de uma crise sem precedentes começam a aparecer no Cruzeiro. Desde os anos 1950, já havia uma grande campanha, inclusive na imprensa, para que o Cruzeiro procurasse outra casa para voltar a crescer. Havia uma redução marcante do número de sócios (principalmente ativos) e de torcedores em geral e, teoricamente, a vizinhança com o Grêmio e o Inter, praticamente no mesmo bairro, não ajudavam. Na época, se cogitou uma ida para Gravataí. Com isso, no final dos anos 1960, foi realizada a permuta, com a Associação Cristã de Moços, da área do Medianeira pelo terreno da Protásio Alves. Em novembro de 1970, o Cruzeiro despediu-se da Montanha. A ACM construiu o Cemitério João XXIII rapidamente, mas o novo estádio do Cruzeiro nunca ficou pronto de verdade. Assim, a partir da temporada de 1971, o Cruzeiro virou nômade: treinava no Frigosul em Canoas, jogava no Passo d’Areia ou no Beira-Rio. Isso tudo vai ser história para uma postagem a parte, noutro momento. Mas fato é que, no final da temporada de 1973, o Cruzeiro fecha, temporariamente o departamento de futebol profissional.

Em 1975, utilizando o que deveria ser o campo de treinamento do Parque Esportivo Di Primio Beck, o clube retoma as atividades na Copa do Governador. Uma das camisetas utilizadas nesta campanha (toda azul) é bem interessante pois havia sido presenteada pelo Cruzeiro mineiro algum tempo antes. Ainda no final da década de 1960, com a ascenção de Rubens Freire Hoffmeister dentro do clube, ocorreu uma aproximação fraterna entre os dois clubes que gerou, além do jogo de camisetas, algum intercâmbio de jogadores. O terno foi, em princípio, utilizado pelas categorias de base, mas serviu algumas vezes ao time principal durante a competição. Na mesma temporada, a camiseta listrada assume um padrão parecido, com o mesmo tipo de gola.

 

Em 1976, a camiseta listrada aparece com uma gola que lembra os modelos da Athleta dos anos 1970. Esse modelo seria utilizado, ainda, algumas vezes na temporada seguinte.

1976 Listrada

Nas temporadas de 1977 e 1978, surgem novos modelos com gola V: uma listrada, uma azul e uma branca. As camisetas listrada e azul têm o distintivo com as cores invertidas.

 

Ao final da temporada de 1978, o futebol profissional do Cruzeiro entra mais uma vez em recesso. A história do retorno do Cruzeiro às competições profissionais, no começo dos anos 1990, será vista em outra postagem mais adiante.

 

 

 

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